quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

Tomar vitamina C NÃO previne contra gripe! Evidência Científica

A vitamina C protege mesmo contra gripes e resfriados?

Foi-se o tempo em que vitamina C e cama eram considerados remédios eficazes contra a gripe. Embora essa vitamina seja considerada um potente antioxidante capaz de combater doenças infecciosas e seja também uma grande aliada para o equilíbrio do sistema imunológico, recente estudo dirigido por cientistas da Austrália e Finlândia concluiu que seus benefícios são mínimos e não protegem contra os resfriados comuns. Quando se fala em gripe suína, então, ela não é indicada como medicamento preventivo.

Segundo José Luiz de Andrade Neto, infectologista e professor da PUC/PR e da Universidade Federal do Paraná (UFPR), a vitamina C só é eficiente no combate à gripe quando o paciente apresenta deficiência desse nutriente.

"Sua falta prejudica não só o desempenho do organismo na defesa contra a Influeza A, mas também em relação a outras doenças", diz o especialista. Além disso, completa, "não existe comprovação de que, em organismos bem nutridos e, portanto, equilibrados, a vitamina C traga benefícios extras".

O melhor a fazer continua sendo seguir as regras básicas de boa higiene: lavar as mãos, cobrir a boca e o nariz ao espirrar ou tossir, evitar contato pessoal, cultivar o hábito de dormir bem, controlar o estresse, manter-se ativo, além de tomar muito líquido e alimentar-se de forma equilibrada.

Nos Estados Unidos é um alto negócio o comércio de suplementos nutricionais, que prometem maravilhas para quem tomar doses supra-fisiológicas de minerais e vitaminas. Este comércio se aproveita de uma lei dos pais da pátria locais – neste aspecto semelhantes aos nossos – que retiraram da FDA a supervisão deste tipo de produto. Mas, há um movimento importante nos próprios EUA, da parte de protetores de consumidores e de profissionais de saúde para que estas coisas, como todas as outras que envolvem medicação para saúde, voltem à agência reguladora.

Cristina Almeida
Especial para o UOL Ciência e Saúde

quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

O boom dos antidepressivos - o medicamento da moda.

Em cinco anos, a venda de antidepressivos no Brasil subiu 48%. Segundo especialistas, o aumento nas vendas desse tipo de medicamento se deve à prescrição exagerada da "pílula da felicidade", tanto por médicos de outras áreas quanto para pacientes sem depressão. 



As estimativas da Organização Mundial da Saúde (OMS) para os próximos 20 anos não são das mais animadoras. Segundo levantamento da instituição, a depressão será, em 2020, a segunda doença mais prevalente do mundo, atrás somente do infarto agudo do miocárdio. Mas, em 2030, apenas uma década depois, o transtorno psiquiátrico — também conhecido como “doença da alma” — já ocupará a primeira colocação do ranking, à frente de outros males como câncer e aids.
A julgar pelos cálculos da OMS, os antidepressivos serão, em pouco tempo, o medicamento mais vendido do planeta. No Brasil, eles já são a quarta classe de remédios mais comercializados, depois de anti-inflamatórios, analgésicos e contraceptivos. Nos últimos cinco anos, segundo levantamento da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) com base em dados do IMS Health, instituto que faz auditoria do mercado farmacêutico, a venda de antidepressivos em farmácias e drogarias cresceu 48%. Em 2003, foram comercializados 17 milhões de unidades — entre gotas, cápsulas e cartelas de comprimidos. Em 2008, esse número saltou para 25,9 milhões. Ainda segundo o IMS, entre 2005 e 2009, as vendas registraram, em reais, um aumento de 74%. Passou de R$ 560 mil para R$ 976 mil.
Esses números não surpreendem o psiquiatra Ricardo Moreno, professor do Instituto de Psiquiatria da Universidade de São Paulo (USP) e membro da Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP). “Do ponto de vista da indústria farmacêutica, antidepressivo virou sinônimo de lucro. Afinal, eles são consumidos no mundo inteiro. E a prevalência da doença é alta na população em geral: algo em torno de 17%. Isso significa que uma em cada cinco pessoas terá pelo menos um episódio de depressão ao longo da vida”, avalia Moreno.


AUMENTO ABUSIVO
Segundo especialistas, o boom nas vendas de antidepressivos no Brasil pode ser explicado por dois motivos. O primeiro é que médicos de outras especialidades, como urologistas, ginecologistas e até pediatras, têm prescrito esse medicamento para os seus pacientes. “O mais curioso é que, de uns tempos para cá, os maiores prescritores de antidepressivos nem são os psiquiatras. São clínicos, neurologistas, geriatras. Até por conhecer bem os antidepressivos e, principalmente, os seus efeitos colaterais, o psiquiatra é muito cauteloso na hora de prescrevê-lo”, afirma o psiquiatra Raphael Boechat, professor da Universidade de Brasília (UnB).
Ele acrescenta que, além da depressão propriamente dita, os antidepressivos já estão sendo receitados para casos de enxaqueca, obesidade, fibromialgia, ejaculação precoce, síndrome da fadiga crônica, entre tantos outros. “Já imaginou se todos os médicos que não são endocrinologistas resolvem tratar diabetes?”, indaga Ricardo Moreno.
O segundo motivo diz respeito à prescrição indiscriminada de antidepressivos para pacientes sem diagnóstico de depressão. “Não há a menor dúvida de que a depressão é uma das doenças mais incapacitantes que existem. E que, também, nunca foi diagnosticada como deveria. Mas as pessoas estão confundindo tristeza com depressão. E pior: tratando a tristeza como se fosse depressão”, salienta o psiquiatra Wimer Bottura Jr., presidente do Comitê de Adolescência da Associação Paulista de Medicina (APM) e membro da Associação Médica Brasileira (AMB).


SENTIR TRISTEZA É NORMAL
O médico psiquiatra Raphael Boechat, da UnB, concorda e vai além. Na opinião dele, o maior impacto que o aumento abusivo na venda dos antidepressivos poderá causar na população mundial é que, no futuro, ninguém mais saberá como lidar com as pequenas tristezas da vida, como a perda de um ente querido ou o fim de um relacionamento amoroso.
Mas como saber quando o que sentimos é tristeza ou depressão? Você está triste quando chora ao ver uma comédia romântica, dorme mais do que o habitual ou devora, sozinho, um pote de sorvete. Mas, por outro lado, está deprimido quando chora por horas a fio sem motivo aparente, sente dificuldade para dormir por mais cansado que esteja e não consegue, sequer, tomar pequenas decisões cotidianas.
Entre os principais sintomas da depressão, os médicos apontam baixa autoestima, perda de sono e de apetite e dificuldade de concentração. “As pessoas não querem entender que sentir tristeza é natural e próprio do ser humano. Por mais que se tente, não há como fugir dela. Se você está triste porque perdeu um parente, não tem de tomar antidepressivo. O pior é que há casos de médicos que, só porque o sujeito terminou o namoro, logo prescrevem um antidepressivo para ele”, lamenta Boechat.


SINAIS DE ALERTA
Para Wimer Bottura Jr., as pessoas deveriam estar mais atentas a certos sintomas que podem sinalizar um princípio de depressão. Inverter prioridades é um deles. Adiar decisões importantes é outro. “As pessoas costumam dizer que fulano entrou em depressão porque quebrou a empresa. O que elas não sabem é que, na maioria dos casos, fulano quebrou a empresa porque já estava deprimido e não se deu conta disso. Um dos sintomas mais evidentes de depressão é quando a pessoa começa a inverter prioridades. Em outras palavras: começa a dar valor para o que é pouco importante e a deixar para depois o que é muito importante”, alerta.
Até o momento, não há evidências de que os antidepressivos causem dependência ou tolerância. Mas produzem efeitos colaterais indesejáveis. “Os efeitos colaterais são os mais variados possíveis e vão desde ganho de peso até perda da libido. Algumas classes podem, ainda, produzir efeitos colaterais cardíacos e circulatórios”, alerta Ricardo Moreno. Bottura Jr. acrescenta: “As pessoas têm medo dos antidepressivos, mas não sabem que os remédios que causam dependência são os ansiolíticos (para ansiedade) e os hipnóticos (para insônia)”.
Atualmente, a depressão atinge 121 milhões de pessoas no mundo. Só no Brasil, são 17 milhões. Desse total, 11 milhões são mulheres. “A incidência nelas é duas vezes maior do que nos homens”, avisa Boechat. E não é só isso: a média etária da primeira manifestação depressiva baixou de 40 para 25 anos. “A prevalência de casos de depressão em mulheres se deve às flutuações hormonais, que vão desde a menarca até a menopausa, passando pelos ciclos menstruais, a gravidez e o parto”, esclarece Moreno.


OS TIPOS DE DEPRESSÃO
Alguns médicos já rebatem a subclassificação da depressão em leve, moderada ou grave. veja a nova divisão:
Depressão endógena: nesse caso, em que a depressão tem origem genética, o uso de antidepressivos é inevitável. isso porque os portadores apresentam uma disfunção neurofuncional (veja o gráfico ao lado), que só poderá ser corrigida pela medicação.
Depressão reativa: também conhecida como depressão circunstancial, pode acontecer quando a pessoa está passando por alguma fase difícil na vida. O médico é quem deve avaliar o uso do medicamento ou encorajar o paciente a resolver seus próprios problemas por meio da psicoterapia.


COMBINAR MAIS DE UM REMÉDIO FUNCIONA?
Na maioria das vezes, os médicos prescrevem um único antidepressivo para combater a depressão. Mas, em alguns casos, pode haver o que os especialistas chamam de “combinação de remédios” para tratar distúrbios psiquiátricos como depressão, síndrome do pânico e transtorno obsessivo-compulsivo (TOC). Nesse caso, pode-se interagir um antidepressivo com outro ou, então, com um sedativo ou, ainda, com um estabilizador de humor. Para alguns médicos, essa combinação proporciona uma maior eficácia no tratamento porque potencializa os efeitos dos medicamentos. Mas, para outros, tal prática pode ser perigosa porque toda e qualquer interação oferece riscos à saúde do paciente. “A combinação de mais de um antidepressivo não é um procedimento normal. O ideal é começar sempre com um único remédio. Se o paciente não apresentar melhoras, aumentamos a dosagem. Se não surtir efeito, trocamos para outra classe de medicamento”, exemplifica o psiquiatra Raphael Boechat.


QUANDO É FUNDAMENTAL TOMÁ-LO
Se não é aconselhável prescrever antidepressivo para quem não sofre de depressão, é igualmente perigoso deixar sem tratamento as vítimas da doença. O suicídio é o mais grave risco a que está sujeito o portador de depressão que não a trata corretamente. “Nestes casos, os antidepressivos são simplesmente essenciais”, esclarece o psiquiatra Ricardo Moreno. Segundo a OMS, a depressão está associada à morte de 850 mil pessoas por ano no mundo inteiro. Um paciente é medicado de seis meses a dois anos. A depressão apresenta três formas de evolução: aquela em que ocorre apenas uma crise e não se volta a ter outras; a segunda é a da evolução por surtos com a ocorrência de crises que podem durar mais ou menos tempo e, depois, remitir; e a terceira e última é aquela que, ao se instalar, não remite mais. “As estratégias farmacológicas visam a antecipar a remissão ou, pelo menos, manter os sintomas sob controle”, ressalva o psiquiatra Emmanuel Fortes.


A EVOLUÇÃO DOS ANTIDEPRESSIVOS
Os medicamentos podem ser classificados em quatro categorias


Fonte: REVISTA VIVA SAÚDE

terça-feira, 4 de janeiro de 2011

Profissão: Farmacêutico - 20 de Janeiro DIA DO FARMACÊUTICO

Um seguimento profissional que vem crescendo bastante é o farmacêutico. O setor se desenvolveu com muita rapidez no mercado, principalmente após a aprovação da lei que obriga drogarias e farmácias a contratarem um profissional da área. O piso salarial do profissional gira em torno de R$ 1.700.

Para ser farmacêutico, é preciso gostar de estudar e dominar disciplinas como química, farmacologia, fisiologia, e saber como funciona a ação de medicamentos no corpo humano, além de matemática e até estatística. Mas um ponto fundamental, muito exigido hoje em dia, é a assistência farmacêutica, pois o profissional tem que saber dar orientações quanto ao uso da medicação aos clientes e pacientes.
O farmacêutico pode atuar tanto no controle de qualidade, quanto na produção, marketing, pesquisa e desenvolvimento. As opções são diversificadas e há espaço nas empresas de alimentos, medicamentos, laboratórios de análises clínicas e empresas de cosméticos, que é outro segmento que está em alta no mercado. O profissional também tem que estar atento e sempre atualizado às novidades da ciência, leis e exigências da vigilância sanitária. O trabalho exige dedicação, disciplina e organização. Tudo tem que estar perfeito, desde a compra de materiais dos fornecedores até a entrega ao cliente.
Os interessados em iniciar a carreira podem prestar vestibular e cursar Farmácia nas principais universidades do país, como a UFF, UFRJ, UFSC, UFBA, USP, UFPAUFMG e UFRGS entre outras.

Confira a nova lista de Antibióticos vendidos com retenção da receita

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) publicou em 22 de dezembro de 2010 no Diário Oficial da União, a Resolução RDC nº 61 , que altera a lista de antimicrobianos do Anexo da RDC 44/10.

A nova medida, que já está em vigor, acrescenta 26 medicamentos à lista inicial, aumentando de 93 para 119 o número de antibióticos que estão sujeitos à retenção de receituário e escrituração.

Confira aqui a RDC 61/10 com a nova lista de antimicrobianos

A RDC 44/10 estabelece o controle para os antimicrobianos de uso sob prescrição que constam na lista do Anexo dessa resolução, em todas as formas de apresentação incluindo medicamentos de uso dermatológico, ginecológico, oftálmico e otorrinolaringológico.
As farmácias já devem reter as receitas de medicamentos antimicrobianos ao realizar a dispensação e deverão escriturar as movimentações no SNGPC a partir de 25 de abril de 2011.
Clique aqui e saiba mais sobre a RDC 44/10.

FONTE: ANVISA

terça-feira, 28 de dezembro de 2010

Não misture medicamentos e álcool

Bebidas alcoólicas podem causar reações adversas até em usuários de fitoterápicos

O consumo de álcool enquanto estamos sob efeito de medicações nunca foi uma boa ideia. Mas existem alguns remédios, vendidos mesmo sem prescrição médica, que podem ser especialmente perigosos quando ingeridos concomitantemente com o álcool.
A Academia Americana de Médicos da Família informa que os seguintes medicamentos nunca devem ser consumidos juntamente com o álcool:

- Anti-inflamatórios não-esteróides, como o ibuprofeno, a aspirina e o naproxeno;
- Paracetamol (ingrediente ativo do Tylenol);
- Anti-histamínicos (Anti-alérgicos) que costumam causar sonolência;
- Remédios para controlar a tosse e congestão nasal.
- Ervas, especialmente suplementos que contenham raiz de valeriana, kava kava ou erva-de-são-joão.

Fonte: IG Saúde

 

segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

GRIPE SUÍNA H1N1, 1° pandemia do século 21, foi mais ou menos letal como se esperava?

O alerta global da gripe A H1N1 foi suspenso no meio de 2010 pela OMS, um ano após ter sido declarado. Com um balanço final de 19 mil mortos, foi muito menos mortal do que a gripe comum.

Em pouco mais de um ano, o vírus se propagou em grande velocidade, atingindo 214 países. O alerta mundial gerou muito pânico e os governos gastaram grandes quantias para obter os remédios (dois antivirais) e vacinas contra a proliferação da doença.
No entanto, o impacto real do vírus foi muito mais leve que o registrado anualmente pela gripe sazonal comum: por ano, mata cerca de 500 mil pessoas no mundo.
Reação mundial
Após manter o nível de alerta pandêmico durante 14 meses, a OMS declarou em agosto que a situação já estava fora de perigo. Mas alguns países acabaram estocando grande quantidade de medicamentos e vacinas.
Foram destruídas milhões de doses por terem passado da data de validade.
O custo da campanha de vacinação nos EUA foi de pelo menos US$ 260 milhões. No México, as informações oficiais cifram em US$ 354 milhões , na França foramdestinados para este fim 870 milhões de euros, o que a permitiu adquirir 94 milhões de doses, das quais somente 5 milhões foram utilizadas.
Em 2011 sairá o relatório dos especialistas da OMS para esclarecer como a organização lidou com a crise da gripe A e, sobretudo, se houve equívocos ao lidar com a doença.
*Com informações da FSP
FONTE: Blog da Saúde

terça-feira, 7 de dezembro de 2010

Livro: A verdade sobre os laboratórios farmacêuticos – como somos enganados e o que podemos fazer a respeito – Márcia Angell

“A medicina acadêmica (americana) está a venda?” - pergunta Márcia Angell, ex-editora chefe do New England Journal of Medicine. A resposta que obteve: “A medicina acadêmica está à venda? Não! O dono atual está muito feliz com ela!”
Esse tipo de informação está em debate no indispensável livro “A verdade sobre os laboratórios farmacêuticos” da editora Record.
A enorme desconfiança que os fabricantes de medicamentos vem recebendo do público consumidor nos Estados Unidos parece ser mais do que justificável. A leitura desse detalhado exame, realizado por uma das pessoas mais influentes da opinião pública americana, pode se assemelhar em certos momentos à leitura de um livro de terror e suspense, e seria ótimo se fosse apenas isso, afinal de contas os relatos e observações dizem respeito aos medicamentos que milhares de milhões de pessoas utilizam, acreditando na boa fé de que os fabricam, mesmo que os preços amassem os orçamentos pessoais, ou inviabilizem as políticas públicas de fornecimento de medicamentos gratuitos à população. Aliás, esse termo - gratuito - jamais poderia constar como adjetivo na divulgação de programas de fornecimentos de medicação (e vacinas), pois, tudo que chega a população é excepcionalmente bem pago por todos os contribuintes do país, mesmo aqueles que compram esses medicamentos nas farmácias, (que não são poucas na paisagem urbana atual, o que nos levar a confirmar a idéia de que é altíssima a rentabilidade de auxiliar as pessoas a se manterem medicadas).
A Dra. Angell traça um percurso bastante abrangente sobre a avaliação dos laboratórios e suas considerações são muito consistentes, pois utiliza dados sob a perspectiva de uma “insider” do sistema.
Naturalmente a formação do preço é alvo de ampla prospecção. Nós poderíamos compreender os altos custos dos medicamentos novos e úteis pela complexa máquina que supostamente envolve a pesquisa de novas substâncias. Porém isso esbarra na incrível revelação de que a maioria das pesquisas é realizada por Institutos Nacionais de Saúde (NIHs), subsidiados por dinheiro do governo americano, logo dos próprios contribuintes. Dessa forma a esmagadora maioria dos investimentos consumidos pela parte nobre da produção de um medicamento – P&D: Pesquisa e Desenvolvimento – é bancada pelo futuro consumidor. As gigantescas cifras envolvidas nos gastos da indústria farmacêutica são dependidas em... marketing! A agressividade no marketing é mais pesquisada pelos grandes laboratórios do que qualquer outra coisa. A onda absurda de propagandas diretas ou estilizadas na mídia é uma das expressões mais óbvias disso. Mas há também muito dinheiro envolvido na disseminação das “pretensas” amostras grátis em consultórios médicos e hospitais. É óbvio que a gratuidade das amostras será regiamente compensada pelo preço final ao consumidor.
O exame da autora sobre a atitude amplamente aceita dos laboratórios bancarem simpósios científicos e até mesmo financiarem os Programas de Educação Continuada, além de ofertarem todo o tipo de brinde e presentes aos médicos, nos deixa com a desagradável impressão de a palavra corrupção seria um adjetivo quase gentil para esse tipo de procedimento.
Afinal todos os laboratórios farmacêuticos são corporações financeiras que têm como objetivo número um o lucro. Mesmo que isso possa parecer antipático para os crédulos de que exista bondade e comiseração nas altas esferas do capitalismo, os dados mostrados nesse impressionante livro não vão dar margem a muita gentileza com empresas do porte da Bayer, Ely Lilly, Johnson entre outras poucas, que formam um ostensivo cartel.
A FDA (órgão de administração de medicamentos e alimentos americana), vista por muitos no Brasil como entidade de respeito e veneração não passa de uma instituição reduzida a validar o desejo insaciável desses laboratórios de se manterem numa curiosa faixa de exclusividade e monopólio das pesquisas em saúde. Acreditar na imparcialidade e capacidade do FDA é tão ingênuo quanto a crença que tínhamos que o DDT era inofensivo para o ser humano, que a iniciativa de colocar flúor na água potável seria a idéia de dentistas, ou de que jamais alguém poderia colocar soda cáustica no leite das crianças.
O comércio dos medicamentos nos EUA é uma rede de interesses tão intricados e bem defendidos nos meios políticos americanos que não há como crer em idoneidade como   predicado positivo dessa indústria. São bilhões de dólares envolvidos! E o jogo político é levado ao extremo na defesa desses valores!
A maquiagem dos medicamentos é um outro dado muito curioso levantado pela autora. Isso acontece pela existência de uma curiosa lei de patentes em vigor naquele país. A história do Claritin® e do Desalex® é desoladora, (são a rigor a mesma substância, mas o segundo é derivado do primeiro, processo que o corpo humano efetivamente executa), os preços mais elevados do segundo não são explicáveis pelo eventual gasto em pesquisa e desenvolvimento. Mas mais inacreditável é a história do AZT, o famoso remédio para combater a AIDS. Como sabemos é uma doença que ganhou notoriedade nos anos 80 (1983), e seria justificável imaginar que medicamentos para uma doença grave como essa pudesse ter preços elevados pelo custo de sua pesquisa. Mas não seria o caso do AZT, que foi sintetizado em 1963, muitos anos antes, e além do mais por uma instituição federal a Michigan Câncer Foundation. Os preços elevados têm mais a ver com a aplicabilidade desse medicamento (originalmente projetado para tratamento de câncer, além de ser útil para quadros virais como o herpes) em uma doença que ganhou evidência, do que com a eventualmente trabalhosa descoberta de uma Nova Entidade Molecular. Nesse caso certamente nada de novo foi criado. Nesse e em muitos, muitos outros mais.
Isso faz parte da luta incansável de se criar outros usos para medicamentos muito conhecidos ou de uso muito restrito. Isso possivelmente explique o uso de medicamentos velhos em situações novas e de alta lucratividade, por uma necessidade inusitada. Por exemplo, o uso de remédios anticonvulsivantes no novo grupo de difícil descrição como os remédios estabilizadores de humor! (como: Depakene®, Topamax® ou Lomatrigina®). Ou o retorno de um antiinflamatório démodé como o ibuprofeno (Alivium®), subitamente levado à primeira escolha no tratamento de febre em crianças, apesar da noção mais criteriosa de não se medicar às cegas quadros não bem definidos, como uma febre súbita sem outros sintomas. Todos sabem que antiinflamatórios podem obscurecer a expressão clínica de uma enfermidade em  suas primeiras manifestações. Mas o marketing foi muito eficiente e esse remédio é muito vendido. O uso da fluoxetina na enigmática sintomatologia da fase pré-menstrual sofisticadamente denominada de Transtorno Disfórico Pré-menstrual, sob forma de pílulas coloridas, mas com um nome diferente do conhecido Prozac®, é outro exemplo de maquiação (nos EEUU o produto com o nome Serafem® é a substância fluoxetina em pílulas de cor diferente do Prozac®, e por estar com cor e nome diferente ficou com nova indicação!), mas isso pode ser uma estratégia muito mais comum do que gostaríamos que fosse..
Desalentador, também,  é averiguar que nos últimos anos pouquíssimos remédios realmente novos foram oferecidos à população, e a ampla maioria desse pequeno contingente não saiu de dentro dos poderosos laboratórios farmacêuticos industriais.
Da compra pesada de influência política e legal à produção de pesquisas ridículas que comparam novos produtos com placebos e não com seus antepassados de eficiência já comprovada, passando pela criação de uma noção fortemente sofismável de que os novos remédios são melhores que os antigos (para o problema da hipertensão parece certamente que não são), além da criação de diagnósticos novos e amplamente imprecisos, e da alteração da percepção popular das necessidades terapêuticas (afinal para quem está dirigida o marketing de venda de produtos como o Viagra®, senão que para pessoas jovens que em tese não seriam os naturais candidatos ao seu consumo), as informações de Márcia Angell podem parecer um pesado excesso de realidade.
Mas sua leitura é fundamental. Muitas vezes pode ser rude com o leitor. Mas o consumidor tem que conhecer as premissas que construíram a cultura medicamentosa dos tempos modernos.  E os profissionais de saúde não devem abrir mão do seu direito de construir uma sociedade que precisa de fato de uma pesquisa científica independente e genuína, longe dos perversos e constantes conflitos de interesses que construíram o onipresente capitalismo científico - lamacento e redundante, mas soberano nas prescrições medicamentosas caras, perigosas e desnecessárias dos receituários que a maioria da população vem recebendo.

Livro: A verdade sobre os laboratórios farmacêuticos – como somos enganados e o que podemos fazer a respeito – Márcia Angell, editora Record, edição de 2007, 319 páginas. Tradução do inglês: “The truth about the drug companies”.
  José Carlos Brasil Peixoto